The God Delusion (em português: A Desilusão de Deus / Deus, um Delírio) é um livro de não-ficção escrito pelo biólogo e divulgador da ciência britânico Richard Dawkins. O livro aborda temas como o neo-ateísmo e apresenta a opinião de Dawkins sobre a religião ter se tornado um dos males dos tempos modernos.
Além de apontar as inúmeras, segundo Dawkins, irracionalidades cometidas por várias religiões, dentre elas principalmente o cristianismo, judaísmo e islamismo, Dawkins defende a idéia que um Deus como é pregado pelas religiões não passa de histórias criativas para explicar tudo o que conhecemos, porém histórias irreais sem nenhuma veracidade racional ou lógica, muitas vezes se tornando inimigas da razão.
No livro, Dawkins defende a idéia de que um criador sobrenatural não passa de um delírio, que ele define como "uma falsa crendice mantida diante de fortes evidências contraditórias". Dawkins simpatiza com a observação de Robert Pirsig que diz "quando uma pessoa tem uma insanidade, chama-se a isso 'delírio'; quando muitas pessoas sofrem de um delírio, chama-se a isso 'religião'".[1]
Como existe um grande número de ideias teístas que buscam explicar a natureza de Deus(es), Dawkins define o conceito de Deus ao qual ele deseja direcionar-se no começo do livro. Ele cunha o termo "religião einsteiniana" ("Einsteinian religion"), referindo-se ao uso de Albert Einstein do termo "Deus", como uma metáfora para a natureza ou os mistérios do universo.[5] Ele faz uma distinção entre essa "religião einsteiniana" e a ideia teística geral de Deus como o criador do universo que deveria ser adorado.[6] Enquanto que Dawkins considera a "religião einsteiniana" uma hipótese respeitável, ele não pensa o mesmo sobre as religiões convencionais. Dawkins sustenta que para as religiões convencionais é dada uma imunidade privilegiada e não merecida contra críticas, citando Douglas Adams para ilustrar o seu argumento:
| “ | Religião … tem certas ideias centrais as quais nós chamamos de sagradas ou santas ou o que quer que seja. O que isso significa é, "Aqui está uma ideia ou noção sobre a qual você não está permitido a dizer qualquer coisa ruim, você simplesmente não pode. Por que não? – Porque você não pode. Se alguém vota para um partido com o qual você não concorda, você está livre para argumentar sobre isso o quanto você quiser; todos terão um argumento, mas ninguém fica agressivo com isso. … Mas, por outro lado, se alguém diz, "Eu não deveria acionar um interruptor de luz em um sábado", você diz "eu respeito isso."[7] | ” |
Dawkins passa a listar exemplos de atribuição de status privilegiados a religiões, tais como a facilidade de obter a condição de objetor de consciência, o uso de eufemismos para conflitos religiosos, imunidades tributárias, possibilidade de proselitismo em escolas, várias exceções ao cumprimento do Direito, e a polêmica das caricaturas da Jyllands-Posten sobre Maomé.
Voltando as suas atenções para a "religião einsteiniana", ele sustenta que essa ideia de Deus é uma hipótese válida, tendo efeitos no universo físico, e, como muitas outras hipóteses, pode ser testada efalsificada.[8] Isso se torna um tema importante no livro, o qual ele chama de "Hipótese de Deus" (God Hypothesis).[9]
Dawkins faz uma análise breve dos principais argumentos filosóficos a favor da existência de Deus. Das várias alegações filosóficas que ele discute, ele seleciona o argumento do design para uma consideração maior. Dawkins conclui que a evolução através da seleção natural pode explicar uma "aparente concepção" da natureza.[1]
Ele escreve que um dos grandes desafios ao intelecto humano tem sido explicar "Como surge a complexa, improvável concepção no universo" ("how the complex, improbable design in the universe arises"), e sugere que existem duas explicações que competem entre elas:
- Uma hipótese envolvendo um conceptor, isto é, um ser complexo para ser responsabilizado pela complexidade do que vemos.
- Uma hipótese, com teorias de apoio, que explica como, a partir de origens e princípios simples, algo mais complexo pode surgir.
Essa é a base de seu argumento contra a existência de Deus, o "Ultimate Boeing 747 gambit"[10] ("gambito último Boeing 747″), onde ele argumenta que a primeira tentativa é auto-refutável, e a segunda abordagem é um melhor caminho a seguir.[11]
Ao final do capítulo 4, "Por que quase com certeza Deus não existe", Dawkins resume o seu argumento e declara, sobre a teoria do Design Inteligente, que "a tentativa é falsa, porque a hipótese do conceptor (designer) imediatamente levanta um problema maior sobre quem concebeu (designed) o conceptor (designer). Todo o problema com o qual nós começamos era o problema de explicar a improbabilidade estatística. Obviamente, não é uma solução postular algo ainda mais improvável" ("The temptation is a false one, because the designer hypothesis immediately raises the larger problem of who designed the designer. The whole problem we started out with was the problem of explaining statistical improbability. It is obviously no solution to postulate something even more improbable").
Dawkins não pretende dizer que Deus não existe com certeza absoluta (um Deus no sentido da "religião einsteiniana"). Em vez disso, ele sugere como um princípio geral que as explicações mais prováveis são preferíveis, em detrimento de explicações improváveis, como a de um Deus omnisciente e omnipotente. E, desse modo, ele argumenta que a teoria de um universo sem Deus é preferível a uma teoria de um universo com Deus.
Se tudo o que vivemos é um plano de Deus, qual é o sentido de nossa vida? já que Deus já sabe o resultado final(ceu ou inferno)...sem sentido.
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