segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A gripe espanhola de 1918

1918, Primeira Guerra acontecendo na Europa, quando um surto de gripe atingiu o hemisfério norte todo durante a primavera (deles) em março. Muitas pessoas foram infectadas, com os sintomas normais da gripe, febre, calafrios e indisposição. Todos os países tiveram surtos, na Espanha 8 milhões de pessoas ficaram doentes, incluindo o rei Afonso XIII. A maioria dos países não admitia o surto que estava acontecendo, já que isso implicava em soldados fora de combate. A Espanha que até então estava neutra na guerra não escondeu o que se passava, e a gripe que era chamada de gripe dos 3 dias começou a ser chamada de gripe espanhola. Rapidamente, ela sumiu.

Faixa etária e mortalidade da gripe espanhola

Em agosto, outono no hemisfério norte, a gripe voltou. Atacou em todos os lugares, Ásia, Europa, Américas. Mas dessa vez ela estava diferente. Estranhamente atacava os jovens, com um pico de infecção entre 20 e 30 anos, enquanto normalmente a curva de idade é um U, atacando mais crianças e idosos, essa formava mais um W. Os sintomas também estavam diferentes, além da febre e dor de cabeça, em alguns dias começava a falta de ar, o rosto começava a ficar roxo, os pés pretos, e em pouco tempo a pessoa morria afogada, com os pulmões cheios de fluidos. Os acampamentos militares, cheios de jovens dividindo quartos, foram atacados em cheio.

Enquanto uma gripe normal mata menos de 0,1% dos doentes, essa matava até 2,5%. Pode parecer pouco, mas com pelo menos 25% da população americana doente, o estrago foi enorme, mais de meio milhão de mortos. Essa é a diferença principal. Enquanto o Ebola mata até 90% das pessoas, infecta poucos, já essa gripe infectou tantos que deve ter matado entre 20 e 100 milhões de pessoas - a 1ª Guerra matou cerca de 9,2 milhões em combate, 15 milhões no total, a 2ª, 16 milhões. Algumas tribos esquimós sumiram do mapa.

Faltavam caixões para enterrar as pessoas, e em muitos lugares os velórios eram limitados a minutos, tamanha a procura.

Até hoje não se sabe como a doença se espalhou tão rápido, em questão de dois meses o mundo inteiro foi atingido, e em muitos casos cidades distantes tinham surto ao mesmo tempo, enquanto as cidades vizinhas podiam levar semanas para serem atingidas.

Nos EUA e no Japão, foram selecionados presos para testarem como a doença era contraída. Não se sabia que era um vírus que causava a doença. Eles pegavam presos que não tiveram contato com a gripe e após os testes, os presos teriam cumprido a dívida com a sociedade - comitê de ética também não era tão presente na época. Borrifavam muco de pessoas doentes no nariz e nos olhos dos presos, injetavam sangue embaixo da pele e pediam para os doentes tossirem e espirrarem  no rosto. Nenhum dos presos americanos contraiu a doença. No Japão conseguiram ver que fluidos filtrados eram capazes de infectar as pessoas, forte indicação de que o agente infeccioso era um vírus (bactérias ficavam retidas pelo filtro), mas não conseguiram repetir os resultados.

Reencontrando o inimigo

Em 1996, um pesquisador do Instituto de Patologia das Forças Armadas americanas teve uma idéia brilhante. O instituto de patologia recebia milhares de amostras militares e civis desde o começo do século 20, analisava e conservava. Taubenberger resolveu procurar amostras de pulmão de soldados que tivessem morrido de gripe em 1918 preservadas em parafina. De duas amostras conseguiu isolar genes do vírus da gripe espanhola. Houve críticas de que o formol poderia ter causado mutações nos vírus, e surgiu a idéia de que corpos enterrados em terreno permanentemente congelado também permitissem que outras amostras fossem recuperadas, e comparadas.

Uma pesquisadora americana resolveu escavar um cemitério (vala comum) norueguês. Em um projeto de meio milhão de dólares, planejou durante 4 anos. Explorou o solo com sondas, montou tendas de contenção biológica, contratou escavadores especializados e chegou a fotografar a disposição das pedras no chão para poder devolver tudo no lugar depois. Quando desenterrou os corpos, eles já estavam bem decompostos e não encontraram o vírus.

Enquanto ela planejava tudo isso, um sueco de uma universidade americana chamado Hultin, que já conhecia o Alasca e tinha tentado encontrar amostras do vírus em 1951, foi sozinho para uma vila esquimó, escavou um cemitério e consegui amostras muito bem conservadas de uma mulher esquimó, gastando $ 3200 em uma viagem de 3 dias.

Em breve: o que as amostras revelaram, e qual foi o fim do vírus H1N1 de 1918.

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